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Floresta Viva: Promovendo uma Economia da Floresta (Serra Grande, Bahia)

Postado em 02 de Agosto de 2017

Nos últimos 6 meses, o Projeto Común Tierra se instalou em novo território: Serra Grande, Bahia. Aqui fizemos amigos, começamos o processo para assentar-nos numa terra com outras famílias e construir uma nova casa, enquanto escrevemos um livro e editamos materiais da viagem. Enquanto isso, vamos conhecendo os projetos de sustentabilidade da região e compartilhando algumas dessas iniciativas locais com vocês!

 

Floresta Viva

Para contar a história do Projeto Floresta Viva, começamos com um pouco da história (moderna) e geografia da região. Serra Grande fica justamente no caminho entre as cidades de Ilhéus e Itacaré, no sul da Bahia, Brasil, uma região que foi reconhecida como a terceira maior do mundo em biodiversidade. A área preserva uma franja de Mata Atlântica, que antes da dominação Européia cobria grandes áreas da costa e do sul do Brasil.

A área passou por vários ciclos econômicos de expansão e contração que incluem extração de madeira nativa, a produção de cana-de-açúcar e do cacau, e hoje é conhecida como a Costa do Cacau. A região está dentro de uma grande APA (Área de Preservação Ambiental) de aproximadamente 60.000 km, e apesar das suas belezas naturais, permaneceu distante do turismo de massa até 1997, quando a rodovia que liga as duas cidades foi asfaltada.

Sabendo das mudanças que viriam com o acesso fácil pela nova estrada, um grupo de ativistas se reuniu em Serra Grande para organizar formas de proteger a região do desenvolvimento insustentável e da degradação ambiental. Um dos frutos desses esforços foi uma colaboração com o Governo do Estado da Bahia que criou o Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC) em 1997, permitindo preservar mais de 9000 hectares de mata nativa dentro dessa reserva.

 

Cachoeiras no Parque Estadual do Conduru


Promovendo uma Economia da Floresta

Antes da criação do Parque, a maioria dos nativos locais sobreviviam cortando as florestas ou queimando terra para a agricultura. O Projeto Floresta Viva reconheceu que a preservação ambiental estava diretamente ligada à promoção de alternativas para economia local, por isso trabalhou na criação de novos modelos econômicos, que não se baseassem nesse tipo de atividade. O projeto iniciou em 2000 treinando 60 famílias em agroecologia local e eco-turismo para fornecer meios de subsistência alternativos que não degenerassem as florestas e ecossistemas locais. Com o sucesso dos programas iniciais, o Floresta Viva passou a fazer frente a muitos projetos na região nos seguintes anos, promovendo meios de subsistência sustentáveis e ajudando a regenerar a terra na região do Parque Estadual. Hoje, cortar florestas ou queimar solo para agricultura já são atividades ilegais na área protegida e do Parque.

Este trabalho levou à criação do Corredor Ecológico Esperança Conduru, que inclui o PESC (Parque Estadual) e outras áreas protegidas. O objetivo do Corredor Ecológico é criar estratégias de gestão bio-regionais para o tratamento de águas e proteção da biodiversidade. O grupo também monitora o desenvolvimento de políticas na região, participando em fóruns e debates públicos sempre que necessário.


O grande viveiro do Floresta Viva produz espécies nativas para reflorestamento

 

Hoje, o Floresta Viva cultiva um grande viveiro repleto de plantas nativas, reproduzindo mais de 115 espécies utilizadas para o reflorestamento, em terras públicas e privadas. O projeto tem catalogadas as espécies locais além de documentados seus diferentes usos, permitindo treinar os habitantes da região no reconhecimento, cultivo e uso de plantas e árvores nativas. Estes cursos e ações, são chamados "Escola da Floresta" estão gradativamente aumentando a capacidade da comunidade local para criar uma economia florestal sustentável.


Recentemente, o Centro também se qualificando e realizando cursos na área de construção natural:

 

Construção com técnicas naturais em andamento.

Workshop sobre métodos de construção de baixo impacto.

 

Planos Futuros

Floresta Viva tem o objetivo de transformar o centro de 2 hectares num jardim botânico que destaque a flora nativa, preservando e produzindo sementes, e educando o público sobre a importância da biodiversidade. Um dos objetivos a longo prazo do jardim botânico será "invadir" a cidade, com o plantio de espécies nativas ao longo das ruas e praças de Serra Grande, transformando toda a área numa "paisagem educativa".

Gostamos muito de conhecer o Floresta Viva, e somos gratos por seus esforços em trabalhar por uma economia regenerativa ao longo dos últimos 20 anos. Vamos seguir acompanhando suas próximas ações regenerativas!

Se você quiser saber mais sobre Floresta Viva, pode visitar o site: www.florestaviva.org.br e segui-los no Facebook.

Mais informações de projetos da região seguirão em breve.

Abraços!

Ryan, Letícia (e Anahí!)

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