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Diário de Bordo

Sendo mãe

Postado em 26 de Julho de 2016 por Leticia Rigatti

Há pouco mais que três luas atrás minha vida mudou completamente. Deixei muitas Letícias de lado por um tempo: guardei a ativista, a “hippie profissional”, produtora de vídeos, também guardei a viajeira, a desenhadora, guitarreira, dançante, cozinheira e sei lá quantas outras partes de mim pra me iniciar na experiência mais intensa da minha vida, SER MÃE. E nesse ritual que começou em um parto, que foi ali bem no chão da minha casa (uma casa que pelos próximos meses não terá rodas), conheci a Anahi, e conheci a vida no seu mais cru e puro formato. A vida dentro de mim que agora era vida em si. O amor manifestado em matéria. E comecei uma viagem que só no fim dessa vida terá fim, a maior de todas que já fiz pela Pachamama: A viagem interna de ser mãe, mulher, paridora, provedora, e ao mesmo tempo filha, aprendiz, frágil... algo que não tinha como aprender em livros, que só dá mesmo é pra viver. E minha vida se converteu em noites poucos dormidas, em dias descabelados vestindo pijamas manchados de leite, em trocas de fraldas, em tentar acalmar choros, em chorar com sorrisos, em aprender a amamentar, e claro, em viver sempre louca de fome, e de sono. Mas também virou um tempo de sentir tudo tão profundamente, de descobrir novas dimensões do que é amar, em estar completamente no presente, no aqui e agora. Nada mais poderia ser tão importante. Tão essencial. Tão demandante. Tão vivo. Tão único. Sentia como viver numa constante cerimônia, uma cerimônia daquelas bem fortes, onde estou para dar tudo o que tenho, exercitando minha fé, meu amor, e oferecendo e unindo todas essas outras partes de mim que ficaram lá meio guardadas, pra viver um momento de iniciação. Ser mãe recém começa, e até agora posso dizer que é uma jornada bem espiritual e bem terrena. É longa, é profunda, é linda. E não é fácil. É um serviço constante, que desgasta, exige paciência, compromisso, cansaço, dedicação... sonhando acordada e louca de sono, num exercício de fé e amor constante. 3 meses depois de iniciada essa viagem, vou aos pouquinhos me reencontrando em tantas outras eu, e vejo como essas Letícias estão agora re-coloridas pelo papel de mãe. Uma benção, uma alegria, uma imensidão! Entendo agora quando chamamos os 3 meses após o parto de exterogestação. Nesse período onde o bebê termina de chegar na Terra, é quando a alma de Mãe termina de nascer. E aqui estou, (re)nascida. Letícia Mãe. E aqui seguirei, cheia de amor. O melhor é que recém começa. E a viagem é longa e contínua... E que assim seja!

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